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A Reforma

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Na primeira grande reforma em 71 anos, a restauração requalifica o Mercadão e ao mesmo tempo preserva integramente o projeto original de Ramos de Azevedo, com esta restauração o Mercado ganha restaurantes, sala de eventos e novos espaços funcionais.

Um dos mais imponentes cartões-postais de São Paulo ganha nova roupagem sem perder o charme do início do século XX: o Mercado Municipal Paulistano, na região central.

O projeto de reforma e readequação arquitetônica, assinado pelo arquiteto Pedro Paulo de Mello Saraiva, torna o Mercado mais acolhedor e versátil: o prédio ganha um piso mezanino de dois mil metros quadrados, que dará lugar a restaurantes e suas praças de alimentação. Além disso foi construída uma grande área no subsolo, com banheiros, fraldários e vestiário, para melhor acesso de visitantes e funcionários a esses serviços.

As obras do Mercado Municipal fazem parte do Programa de Requalificação do Centro de São Paulo, que é financiado pelo Banco Internacional de Desenvolvimento (BID), que participa com investimento de U$ 100 milhões, e pela Prefeitura de São Paulo. Pelo acordo com BID, a administração municipal entrou com uma contrapartida de U$$ 60 milhões.

O edifício possui 12.600m2 de área construída, abriga 1.600 funcionários, que movimentam 350 toneladas de alimentos por dia em seus 291 boxes, e recebe uma média diária de 14 mil visitantes. O Mercadão, como é conhecido popularmente, é vizinho do palácio das Indústrias (antiga sede da Prefeitura) e foi projetado em estilo eclético pelo arquiteto Francisco Ramos de Azevedo em 1926 e inaugurado em 1933.

O Mercado Municipal Paulistano é o retrato de uma época importante de São Paulo. Ele foi projetado no final dos anos 20, quando a indústria começava a mostrar o seu poder econômico frente ao mercado de café, que enfrentava sua primeira grande crise. De uma hora para outra, uma cidade que não era grande relevância para o Brasil – se comparada a outras capitais mais importantes da época, como o Rio de Janeiro, Recife e Salvador – tornou-se a metrópole mais rica do País.

As construções publicas cumpriam a função de acompanhar e ressaltar essa riqueza. É por isso que não há em nenhum lugar do Brasil um mercado municipal do porte do Municipal de São Paulo.

As obras da restauração tornaram-se uma atração à parte dentro do Mercadão. Contrariando as expectativas dos responsáveis pela restauração, o numero de visitantes aumentou com o inicio das obras. “Muitos queriam saber o que estava sendo feito e como seria a recuperação do Mercado”. A complicação de executar restauros dentro de um espaço em atividade foi totalmente recompensada pela experiência rica de trabalhar em um organismo vivo. Vale mencionar que todo o trabalho tem acompanhamento do Departamento de Patrimônio Histórico (DHP) da Prefeitura.

O projeto de reparo da edificação foi realizado simultaneamente à obra de readequação da infra-estrutura do edifício com o centro da cidade e com o vai-e-vem de seus cidadãos – o que exige demandas nada semelhantes às da época de sua inauguração. Mesmo assim, as obras tiveram como objetivo adaptar o prédio para atender às necessidades dos usuários do Mercadão, sempre preservando o patrimônio histórico . As adaptações arquitetônicas requeriam uma linguagem contemporânea para intencionalmente não ser confundida com as características originais do edifício. Tudo para ficar claro que o que foi alterado não faz parte do projeto inicial de 1926, do arquiteto Ramos de Azevedo.

A iluminação foi tratada a parte. Um projeto de luminotécnica foi elaborado para melhorar os níveis de iluminação e, ao mesmo tempo valorizar os aspectos arquitetônicos internos e externos do Mercado. A empresa contratada é a mesma que projetou a atual iluminação do Coliseu, em Roma, e do Arco do Triunfo, em Paris.

Os quatro vitrais temáticos, em especial, foram encontrados em estado muito precário. De autoria do artista descedente dos russos Conrado Sorgenich Filho, eles retratavam como eram os meios de produção agrícola e pecuária no final dos anos 20 no Estado de São Paulo.

 

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